01
nov

O pós-sionismo chegou oficialmente

Nos anos 90, com a globalização, apareceram no mundo inteiro movimentos questionando o nacionalismo. Este movimento acabou chegando também a Israel, com o nome de pós-sionismo.

Basicamente, o pós-sionista questiona a idéia de Israel ser o melhor lugar para os judeus. Além disso, o direito dos judeus em relação ao Estado de Israel também é questionado. Ou seja, precisamos mesmo de um Estado? E em caso positivo, qual o nosso direito sobre Israel? Talvez o certo seria Israel funcionar como um Estado qualquer, sem definição de raça ou povo, aberto a todos?

Essa linha de raciocínio costumava aparecer em uma ou outra reportagem, em alguns cursos universitários e por aí vai. Posso estar enganado, mas não me recordo de representatividade política dessas idéias. Eis que na semana passada tudo mudou.

Em 1992, em função da junção de dois partidos, criou-se um terceiro e novo partido chamado Meretz. Um partido com ideologia liberal e basicamente de esquerda. No mesmo ano, eles receberam 12 mandatos no Parlamento, o que foi considerado um sucesso para uma primeira eleição. Mas foi só. De lá para cá, o partido foi perdendo força e hoje conta com apenas 5 parlamentares. Não irei escrever aqui sobre a esquerda e a direita, e muito menos sobre igualdade social e liberdade religiosa (ideologia presente no partido), mas sim sobre as declarações dadas na semana passada (vocês podem ler a reportagem em hebraico aqui: http://www.nrg.co.il/online/1/ART2/900/022.html).

A porta voz do partido, May Ossi, disse as seguintes palavras: “O Meretz é um partido israelense e não sionista, um partido de todos os cidadãos, porque a ideia do sionismo apaga um povo inteiro. O partido possui parlamentares sionistas e não sionistas e então, o partido não pode se definir como sionista”. O secretário geral do partido, Mossi Raz acrescentou: “no Estatuto do partido não há a palavra ‘sionismo’”.

É verdade que alguns ex-parlamentares e parlamentares do Meretz defendem a posição sionista do partido, mas se essa é a mensagem da porta-voz e o Estatuto realmente corrobora com esta idéia, então pelo menos existe uma forte suspeita.

Todos esses sinais, na minha opinião, mostram um problema profundo de identidade: muito pouca gente sabe realmente porque estamos em Israel! Esta é uma questão crucial. É difícil viver em um país cercado de inimigos, e que o mundo se esforça para deslegitimar, usando artífices absurdos que às vezes até mudam a história em si. Se para nós, que moramos aqui, a Terra de Israel é só um meio de nos juntarmos ou de sobrevivermos (como diria Hertzl), então realmente as perguntas aparecem e as respostas não são muito satisfatórias. Então, é melhor mesmo deixar Israel.

Porém, se nossa ligação com a Terra vai além do físico – é metafísico e histórico, fica óbvio e claro porque devemos estar aqui e porque Israel e não outro lugar.

Nas próximas eleições já teremos que refletir sobre mais uma variável: entre direita e esquerda, socialista ou capitalista, seremos sionistas ou pós-sionistas?  

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