07
nov

Rav Israel Rozen ZT”L

Uma vez uma pessoa me falou que todos os grandes sucessos que aparecem da noite para o dia, na verdade são a consequência de pelo menos 10 anos de um trabalho árduo que não estava evidente. Esta mensagem, numa época em que a resposta imediata é indispensável, se torna ainda mais forte.

Eu trabalho, acompanho e convivo com o Machon Zomet  há 17 anos – este instituto é fruto do esforço e empenho do Rav Rozen Zatza”l – que faleceu na última quinta-feira. Eu me deparo com equipamentos que foram criados/adaptados para o uso no shabat pelo Machon Zomet em quase todas as instituições que passo. Sejam hospitais, asilos para idosos ou para deficientes, hotéis, empresas de segurança, kibutzim, manicômios, exército, governo, indústria, ONGs que representam deficientes, entre outros. Como eu trabalho no Machon Zomet, muitas pessoas durante minha visita nas intituições me perguntam sobre o tamanho da empresa. Quando digo que no Machon Zomet trabalham 6 pessoas na área técnica, as pessoas se impressionam e perguntam como pode ser que encontramos equipamentos do Machon Zomet em todas as intituições de Israel, desde Eilat até o Golan? Isso, fora os elevadores de shabat que estão em milhares de prédios residenciais, e outros produtos que servem a todas as casas de religiosos em Israel!?! Como conseguimos fazer isso?

Para ser sincero, eu tenho que admitir que mesmo eu me impressiono muitas vezes. Porém minha resposta é sempre a mesma: O Rav Israel Rozen há 40 anos teve um sonho, onde o Estado de Israel se tornaria um Estado Judaico (não um Estado que obriga todos a cumprirem a halachá, mas um Estado que possibilita a vida judaica a todos que escolhem viver assim). Ele não cruzou os braços e desistiu de seu sonho por causa das dificuldades e da impossibilidade de chegar em todos os lugares… Ele decidiu fazer aquilo que estava a seu alcance. Se hoje eu posso dar uma solução a ordenha de vacas em kibutzim no shabat, eu vou fazer isso. Amanhã eu posso criar um sistema de chamado para enfermeiras num hospital, depois eu dou aconselhamento a empresas de elevadores para adaptá-los para o uso em shabat… E assim por diante. Em 40 anos com uma equipe de 3 no começo a 8 no auge e com 6 hoje em dia, ele conseguiu chegar em quase todas as instituições públicas e particulares em Israel.

Ele conseguiu facilitar a vida de dezenas de milhares de judeus religiosos e tradicionais. Ele criou uma infraestrutura que já entra em ramos do governo, da indústria, da segurança e da área médica em Israel. Infelizmente, ele não conseguiu ver seu sonho se completar em todos os detalhes, mas em vários momentos vimos os seus olhos brilharem com as conquistas que conseguiu realizar.

Este brilho ficou evidente, principalmente na festa de 40 anos do Machon Zomet e seu 75 anos de vida, que aconteceu há um ano atrás. Infelizmente esta festa se revelou agora como sendo a sua festa de despededida.

Nesta festa, ouvimos ele dizer que o lugar no Olam Habá (mundo vindouro) dele já está reservado por todas as mitzvót de oneg shabat (curtir o shabat) que ele causou àqueles que têm dificuldade e/ou deficiência. Estes foram ajudados pela adaptação de cadeiras de rodas e kalnoiot (carrinhos elétricos), que os tornaram independentes mesmo em shabat. De outras pessoas ouvi que ele está sendo acompanhado por todos os convertidos que ele ajudou no processo de conversão (ele foi quem criou a infraestrutura de conversão usada hoje em dia no Rabinato Central de Israel). Outros disseram que o mérito de milhares e milhares de chilulei shabat (desrespeito de regras de shabat) que ele evitou – públicos e particulares. Seu irmão contou durante o enterro que seu genro estava durante um shabat esperando o elevador de shabat para visitar um parente internado num hospital e a seu lado tinha uma mulher claramente não religiosa segurando um capacete (ou seja, tinha acabado de estacionar sua moto). Ele lhe perguntou por que esperava vários minutos pelo elevador de shabat, já que existia a possibilidade de chamar o elevador comum? Ela disse, “se tenho a possibilidade de não desrespeitar o shabat tão facilmente, por quê desrespeitá-lo?”.

Mas para mim, guardo na memória aquele que, apesar de ter influência na revolução do judaísmo em Israel, era uma das pessoas mais simples que conheci. Ele estava sempre aberto a escutar nossa opinião, e repensava sua opinião baseado naquilo que dizíamos. Alguém que apesar de ser chamado de Kvod Harav (O respeitoso rabino) por vários dos grandes rabinos de Israel, não andava cercado por “súditos” e era acessível a cada um que o procurasse. Alguém que recebia honras, mas que nunca corria atrás delas, até por vezes desmerecia o motivo de tê-las recebido…

Seu caminho foi traçado por seu pleno esforço e irá continuar para a eternidade, pois como está escrito na Guemará: “Um Tzadik (justo) mesmo depois de sua morte ainda está vivo”.

Yehi Zichró Baruch – Que sua memória seja abençoada.

1 Comentário

  1. Esther Dzialowski Amarante

    Parabéns, Dani, por mais esse texto tão bem escrito e pelo seu gesto de reconhecer e honrar esse homem maravilhoso com quem você trabalhou e colaborou na construção desse sonho que é o Machon Tzomet. Tenho orgulho de você e da sua postura respeitosa e verdadeira diante do mundo e das pessoas. Que ele e você sejam uma inspiração para muitos. Obrigada, novamente, por ser como é. Com admiração e amor, Esther.

Deixe uma Resposta

You are donating to :

How much would you like to donate?
$10 $20 $30
Would you like to make regular donations? I would like to make donation(s)
How many times would you like this to recur? (including this payment) *
Name *
Last Name *
Email *
Phone
Address
Additional Note
Loading...